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Foi nesta manhã inaugurada a nova biblioteca da Escola Secundária Estrela Vermelha, de Maputo, numa cerimónia com pompa e circunstância, na qual alunos e professores manifestaram o seu compromisso com a leitura para desenvolvimento de aprendizagens e aquisição de competências. Batizada “Biblioteca Escolar Poeta José Craveirinha”, em homenagem ao considerado poeta maior de Moçambique, a sua inauguração encerra atitudes solidárias de grande significado pois foram alunos do próprio estabelecimento de ensino e da EPM-CELP que, em regime de voluntariado, reabilitaram o espaço físico, pintando as paredes, e catalogaram os livros.

A participação ativa e voluntária dos nossos alunos foi orientada pelo “Mabuko Ya Hina”, projeto coordenado pela nossa Escola no âmbito da cooperação entre Portugal e Moçambique no domínio das bibliotecas escolares e da promoção da leitura. Nesta perspetiva, mobilizou o apoio do BCI (Banco Comercial e de Investimentos) e da EPM-CELP para equipar a biblioteca com dois computadores e 20 cortinas, respetivamente.

Na sessão inaugural, além dos discursos oficiais dos representantes das entidades envolvidas, a declamação de poemas, a exibição de dança “xigubo” por alunos da escola anfitriã e a apresentação multimédia ilustrativa da reabilitação operada pelos alunos foram os momentos artístico-culturais mais marcantes da cerimónia.

web inaugura.biblio.estrelavermelha1 mar19Gilberto Reis, diretor da ES Estrela Vermelha, explicou que a escolha do nome do poeta Craveirinha para patrono da biblioteca não foi aleatória, mas resultou de um escrutínio no qual constavam os nomes dos escritores moçambicanos Calane da Silva e Paulina Chiziane. “Depois da remodelação, achamos bem passarmos a ter um nome para a biblioteca. Então, colocámos três nomes candidatos dos quais os alunos escolheram José Craveirinha, que, por sinal, foi em vida vizinho da nossa escola”, esclareceu Gilberto Reis. Por seu turno, a representante dos alunos da escola anfitriã afirmou que a nova biblioteca vai aumentar o rendimento da comunidade escolar, considerando que o melhor conhecimento advém da pesquisa individual e que o aspeto físico renovado do espaço, o material didático, os computadores e o cenário lúdico-didático instalado vai incentivar as leituras ao atrair os estudantes.

O representante da Fundação José Craveirinha e filho do poeta, Zeca Craveirinha, manifestou gratidão pela homenagem ao seu progenitor, sobretudo porque a ES Estrela Vermelha tornou-se a primeira do setor público da educação em Moçambique a valorizar desta forma o património artístico-cultural legado por José Craveirinha. “Esta é a primeira escola pública moçambicana que passa a ostentar o nome de José Craveirinha. A primeira escola que usou este nome foi a Escola Portuguesa de Moçambique e hoje, 43 anos depois da independência, esta é a primeira pública”, afirmou entusiasmado Zeca Craveirinha, para quem este facto traz um misto de “tristeza e alegria” pois, confessou o filho do patrono, “andei nesta escola há mais de 56 anos e também tive momentos bons e maus, mas hoje reentrei na escola com um sentimento muito forte da minha moçambicanidade, porque a partir de agora esta escola passou a ter um nome moçambicano”.

A nova biblioteca da ES Estrela Vermelha é igualmente resultado de uma semente lançada em Moçambique pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que, em maio de 2016, visitou aquele estabelecimento de ensino, onde manifestou a vontade de ver a biblioteca restaurada e em pleno funcionamento. Nesta senda, Luísa Antunes, diretora do Centro de Formação e Difusão da Língua Portuguesa da EPM-CELP, sublinhou os esforços desenvolvidos pelo projeto “Mabuko Ya Hina” e pela nossa Escola na dinamização das bibliotecas escolares e da promoção da leitura desde 2010. “Esta inauguração ocorre precisamente na Semana da Leitura, criando uma expetativa alta relativamente à valência desta biblioteca como espaço de acesso ao livro, um recurso indispensável ao conhecimento”, afirmou Luísa Antunes, reiterando o compromisso de continuar a trabalhar em prol da educação de Moçambique.

Na cerimónia de inauguração intervieram ainda a representante da Embaixada de Portugal em Moçambique, Indira Noronha, o representante do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, Ernesto de Jesus.

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