web dia.de.africa2 mai19
As celebrações do Dia de África, ontem na EPM-CELP – antecipando em dois dias a comemoração da data oficial (25 de maio) –, valorizaram as tradições e culturas de Moçambique, na diversidade da sua diáspora, e a luta pela emancipação da mulher. Manifestações de dança, gastronomia e cinema tiveram lugar no recinto da EPM-CELP e no Auditório Carlos Paredes, acolhendo alunos, professores, funcionários, encarregados de educação e amigos da nossa Escola.


Na abertura do programa das comemorações, uma sequência muito viva de movimentos expansivos, gestos pequenos e subtis e quedas agressivas animou a entrada principal da nossa Escola, em combinações de solos, duos, trios e quartetos das dançarinas do Grupo Cultural Lwandle. Os “batuqueiros” fizeram ecoar sons agradáveis, ritmando os passos e saltos das dançarinas no palco. A plateia, extasiada, aplaudiu e emocionou, se acompanhando com ternura os compassos.

Entusiasmar, assustar, enamorar, mexer e dançar foram os principais desafios lançados pelas bailarinas na execução, por exemplo, de “Xingomana”, que aliou roupas coloridas a lenços e chocalhos, em melodias alusivas à unidade nacional e à liberdade. Ali ao lado, meia dúzia de mulheres feiravam produtos agrícolas moçambicanos: maçarocas assadas, cozidas e cruas, batata doce, mandioca, quiabos, amendoim, castanha de caju e fruta da época provocavam os paladares.

“Martha e Niki”, um filme sobre a emancipação da mulher
Cerca de uma hora após as atuações na entrada principal da EPM-CELP, as atenções viraram-se para a tela gigante do Auditório Carlos Paredes, onde começou a rodar o filme “Martha e Niki”, tematizado em torno dos desafios da afirmação da mulher na dança e ilustrado com o testemunho vivo da coreógrafa e bailarina moçambicana Janeth Mulapha. A sessão de cinema teve início com a leitura, por parte de alunos da nossa Escola, das regras de uso do auditório para os convidados das escolas moçambicanas vencedoras do Festival "Escolas Com Livros 2018”, EPC Unidade 23, EPC 4 de Outubro e EPC Ntwananu.

O documentário, lançado em 2016, narra a história de vida das dançarinas suecas Martha Nabwire e Niki Tsappos que, em 2010, foram destaque ao serem as primeiras mulheres a vencer, em Paris, a “Juste Debout”, a mais importante competição de dança de rua do mundo. Partindo dessa conquista, o filme acompanha as duas dançarinas numa emocionante jornada pelo universo do “hiphop”, amplamente dominado por homens, na qual deixam deixam claro o seu amor pela dança.

Aliando a sua experiência à exibição do quotidiano das atoras de “Martha e Niki”, a dançarina moçambicana Janeth Mulapha revelou à plateia ter-se sentido emocionada, sobretudo, pela convicção que as atrizes demonstraram em ser dançarinas “no meio de tantos homens, de tanto machismo, de tanto assédio, o que foi desafiante”, afirmou a artista convidada, para quem “dançar é expressar a liberdade, é outra forma de ganhar a emancipação de que tanto falamos e almejamos”. Dançarina desde 1998 e coreógrafa há sensivelmente três anos, Janeth Mulapha contou episódios da sua carreira que a condicionaram, mas também a motivaram a seguir os seus sonhos. “Tenho nas veias um espírito de dança. Quando danço esqueço tudo, sobretudo os desafios, como o machismo que todos os dias temos de enfrentar”, declarou a propósito Janeth.

O programa de comemorações do Dia de África foi dinamizado conjuntamente pela equipa do Plano Nacional de Cinema da EPM-CELP e pelo projeto “Mabuko Ya Hina”, com a participação do 18.º Ciclo de Cinema Europeu e colaboração da Embaixada da Suécia em Moçambique.
web dia.de.africa1 mai19

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