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O livro “A árvore mágica” é a novidade literária que a EPM-CELP vai lançar em Lisboa, no próximo dia 12, às 18 horas, na Livraria Snob, Cossul. A obra conta “a história de um embondeiro que trocou o sono pela imaginação”, segundo o cartaz de divulgação, e é da autoria de Lurdes Breda com ilustrações do artista plástico moçambicano Roberto Chichorro.

Teresa Calçada, comissária do Plano Nacional de Leitura de Portugal, será a apresentadora do livro e a história será narrada por Sofia Souto Moniz.

Para ficar a conhecer todos os detalhes da obra, seus autores e contextos envolventes da sua criação e publicação, transcreve-se, de seguida, a nota informativa difundida pelo Núcleo de Apoio, Relações Públicas e Publicações da EPM-CELP.

Descrição do projeto:
“A árvore mágica”, escrito pela portuguesa Lurdes Breda, ilustrado pelo moçambicano Roberto Chichorro e editado Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa, é um conto estruturado numa linguagem híbrida entre o Português e uma das Línguas Bantu de Moçambique − o changane − e tem como público-alvo crianças e jovens.

Este projeto promove não só a Língua Portuguesa, mas também valoriza as Línguas Bantu e algumas tradições moçambicanas, contribuindo para a identidade cultural moçambicana, através da ficção e da literariedade.


Pretende-se que este seja um projeto direcionado para os países lusófonos, sem exceção, mas que, sobretudo, possa fortalecer os laços afetivos e culturais entre Portugal e Moçambique.


A Língua Portuguesa é o passaporte para a descoberta e a consciencialização da interculturalidade e da multiculturalidade existentes entre, não só estes dois países, mas também na restante lusofonia.


O texto visa a aproximação das crianças e jovens à literatura infantil e juvenil, tendo em atenção o respeito pela diversidade cultural, étnica, religiosa e social que se vive em Moçambique. Pois, no que concerne aos jovens moçambicanos, a familiaridade com aquilo que é narrado pode ser motivo de identificação e de interesse não só pela literatura, mas também pela Língua Portuguesa, como meio de comunicação privilegiado entre os países de expressão portuguesa.


O projeto reveste-se de rigor pedagógico na correção das palavras escritas nas Línguas Bantu e na sua significação, tendo para isso contado com a colaboração do Professor Gervásio Absolone Chambo, da Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique.


Houve, ainda, o cuidado de se acrescentar um glossário para que o conteúdo do texto seja de fácil acesso a todos os falantes da Língua Portuguesa, a qual proporciona a aprendizagem de diferentes linguagens, com a particularidade de gerar neologismos.


A fim de manter a vertente tradicional africana, característica presente em todo o texto, este foi ilustrado por Roberto Chichorro, artista plástico moçambicano de reconhecido mérito.


Ainda com o intuito de garantir o aspeto pedagógico e formal do texto, a sua revisão e a respetiva análise literária foram feitas pelo Professor Doutor Jorge Martins, Investigador integrado do CIEC (Centro de Investigação em Estudos da Criança), Instituto de Educação, Universidade do Minho, Braga, Portugal.


Esta edição tem, pois, como principal propósito a promoção da Língua Portuguesa, da escrita e da leitura, mas também da divulgação da cultura moçambicana entre os diversos povos da lusofonia.


A Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa assume-se como uma entidade difusora da língua e da cultura entre os falantes da Língua Portuguesa, cujo trabalho editorial se tem centrado, fundamentalmente, na cultura do país onde se encontra inserida.


Análise literária:
“O mundo lusófono, pela sua diversidade social e cultural, potencia manifestações artísticas como a literatura. Este conto nasce da visão de uma escritora portuguesa, Lurdes Breda, após uma visita a Moçambique, razão pela qual remete para vivências exóticas, enfatizadas pela cultura tradicional moçambicana. O enunciado evoca de uma forma poética os medos e as alegrias de uma comunidade, personificada numa árvore, símbolo de vida, conotada com a perpétua evolução ontológica. Evoca a fantasia e a imaginação, fomenta a liberdade interpretativa do leitor convidando-o a realizar inferências, em que o texto avança com hipóteses de sentido, numa interação com o imaginário africano, povoado pelo maravilhoso e pelo fantástico. A surpresa estética surge em cada parágrafo, no intuito de facultar a novidade semiótica, característica das obras com qualidade literária. Do mesmo modo, o universalismo, consubstanciado em temas como a preocupação ecológica, o espírito comunitário, a defesa das tradições, a sublimação da criança como elemento regenerador de uma comunidade, prevê uma narrativa cosmopolita, capaz de estabelecer pontos de referência com um leitor universal.

O texto, pelo seu carácter ambivalente, permite, em simultâneo, a leitura por um público adulto, assim como por leitores mais jovens, numa transversalidade que derruba barreiras etárias. Neste contexto, o público leitor mais jovem do universo lusófono, como o moçambicano, pode rever-se nesta narrativa ficcional que sugere modos ancestrais da idiossincrasia africana. Estes jovens leitores facilmente poderão identificar-se com as suas raízes, adquirindo o gosto pela leitura, um meio de interagir com o livro e preservar a sua cultura, como memória coletiva.”


Professor Doutor Jorge Martins
(Investigador do CIEC – Centro de Investigação de Estudos da Criança, Universidade do Minho, Portugal)

Sinopse da obra:
Esta é a história de um embondeiro que trocou o sono pela imaginação. Durante muitas luas ficava de pétalas abertas a ver os meninos brincarem atrás das borboletas, por entre os ramos de palavras em flor. Até que, por magia, eles desapareceram, entrando no seu coração. A imaginação da árvore também trazia chuva à terra, e deixava pasmados bichos e pessoas que contavam os seus feitos de boca em boca, de aldeia em aldeia. Mas após tantas luas de pétalas abertas, o embondeiro murchava de cansaço. Como trazer de volta o sono da árvore, perguntava-se toda a gente... Até que um dia...

Biografia dos autores:
Lurdes Breda nasceu em 1970, no concelho de Montemor-o-Velho, Portugal. É autora de vinte e quatro obras e coautora de outras onze, editadas em Portugal, no Brasil e em Moçambique. É conhecida, sobretudo, como escritora de livros para crianças e jovens. O seu livro “O Alfabeto Trapalhão” é um dos livros aconselhados pela “Casa da Leitura” da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi um dos livros selecionados pela Direção Geral do Livro e das Bibliotecas para estar no Pavilhão de Portugal, país convidado em 2012, na Feira do Livro Infantil de Bolonha, em Itália. É, ainda, um dos livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura, 1º ano, leitura orientada. Ainda em 2012, esteve presente como escritora convidada na “I Mostra de Literatura Infantojuvenil de Maputo”, em Moçambique. Foi premiada em vários certames literários nacionais e internacionais. Em 2005 foi distinguida com o Prémio “Mulheres de Valor” e em 2014 recebeu a Medalha de Mérito Municipal Cultural. Pertence ao Grupo Poético de Aveiro e é membro efetivo da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Participa em atividades que visam a integração da pessoa com deficiência na sociedade e a promoção do livro e da leitura em inúmeras escolas e bibliotecas.

Roberto Chichorro nasceu em 1941, em Lourenço Marques, (atual Maputo). Ainda na infância descobre o gosto pelo desenho. Em 1961 conhece o escritor António Carneiro Gonçalves, que incentiva a sua participação numa exposição colectiva, em 1966. Pela primeira vez, expõe individualmente em 1967, em Lourenço Marques. Em 1971, desloca-se a Lisboa, e em 1980 passa a dedicar-se profissionalmente à pintura. De 1982 a 1985 trabalha em cerâmica e Zincogravura no Taller Azul, com Oscar Manezzi, em Madrid. É nesta cidade que conhece o casal de escultores Abraham Dubcovsky e Alejandra Majewsky, que contribuem para a sua adaptação a Espanha. Volta a Moçambique em 1985, mas parte, no ano seguinte, novamente para Lisboa como bolseiro da Cooperação Portuguesa, estabelecendo amizade com o serígrafo e pintor António Inverno, o que foi decisivo para que não regressasse a Moçambique.

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