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Sentimentos e afetos foram colocados à prova, na manhã de ontem (14 de fevereiro), dia de São Valentim, na Biblioteca Escolar José Craveirinha da EPM-CELP. Em conjunto, alunos dos terceiro e quarto anos do ensino básico, encarregados de educação, professores e convidados discutiram o “Amor e Amizade na busca da felicidade”, uma iniciativa do projeto Filosofia para Crianças para desafiar a exteriorização de sensibilidades humanas.

Em duas horas de discussão filosófica, a sessão fez emergir valores como a liberdade, o respeito, a igualdade e a dignidade, numa declaração clara de que o afeto é a base de tudo. “É sinónimo do amor. É respeito, é torcer para o bem de outrem, é querer estar perto de quem gostamos”, disse um aluno na sequência de declarações de outros pequenos oradores. Na senda da contra-argumentação, para outros a solidariedade é o auge do amor e da amizade pois “é importante ajudarmos o próximo e partilhar momentos, dores, alegrias e todas as emoções porque é a forma mais bonita de demonstrarmos o nosso amor”, replicou um petiz, para quem o afeto e a amizade são o carinho que temos por quem amamos.

De acordo com o mentor da iniciativa e professor de Filosofia para Crianças, Fulgêncio Samo, os objetivos do debate, sobretudo no Dia dos Namorados, traduzem-se em “aproximar as famílias à escola para discutir os valores relacionados com esta data comemorativa. Serviu, assim, para ampliar os conceitos de amor e de amizade como marcas de afeto que transcendem a conotação reducionista associada apenas à expressão específica do namoro”, declarou.

O encontro recorreu ao diálogo aberto com protagonismo reservado aos petizes para que, livremente, pudessem colocar questões e equacionar hipóteses de resposta, num ambiente de livre descoberta, com o professor a assumir apenas o papel de facilitador de aprendizagem e promotor de pensamentos divergentes, autónomos e fundamentados. Segundo relatou Fulgêncio Samo, a participação conjunta das crianças e dos encarregados de educação suscitou curiosidades em ambos sobre o tema, propiciando um “diálogo intergeracional através do qual os adultos também podem aprender com as crianças e ultrapassar os limites ou padrões do próprio pensamento, desafiado pela ingenuidade infantil de perspetivar e abordar os problemas”, explicou o docente.

O desafio do projeto Filosofia para Crianças continur a ser potenciar a fecundidade e espontaneidade de pensamento manifestado pelos pequenos pensadores, revelou Fulgêncio Samo, afirmando que “consiste igualmente em reforçar a coerência com que se desenvolve o próprio debate, aprofundar as questões a partir dos pontos de vistas de uns e de outros, diminuindo o efeito zapping de questão em questão”. Para dinamizar o debate, o professor-facilitador contou com a ajuda de quatro alunas, das quais duas fizeram a introdução e contextualização do debate e as outras a atribuição da palavra aos intervenientes durante a sessão.

O projeto Filosofia para Crianças existe há mais de 10 anos na EPM-CELP e dirige-se aos alunos dos terceiro e quarto anos do primeiro ciclo do ensino básico.

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