tornado de teresaFoi lançado, na última sexta-feira, 17 de dezembro, no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, o mais recente romance da escritora e responsável pelo setor de publicações da EPM-CELP, Teresa Noronha. “Tornado” é o título que sustenta as 155 páginas do enredo, cujo apuro e originalidade da escrita lhe valeu a primeira edição do prémio literário Maria Velho da Costa, criado pela sociedade Portuguesa de Autores.

O romance de Teresa Noronha é catártico e carrega nas suas páginas lágrimas, revelações, emoções que se sustentam a partir da conversa com o irmão morto, que se suicidou muito jovem, aos vinte anos. Uma morte que muda tudo, destrói o equilíbrio da família e que, mesmo decorridos vários anos, permanece sem resposta entre as muitas explicações possíveis. “Tornado” é um relato confessional, no qual a narradora busca o sentido da vida.

No livro revisitam-se momentos de infância, nostalgias e, de forma melancólica, o drama da morte. O irmão, muito jovem, suicidou-se. E a narradora presta-lhe uma homenagem. Pega, segundo Álvaro Carmo Vaz, apresentador do livro, nesta experiência duríssima e fala do que raramente é falado, não de quem morre, mas de quem fica, do vazio que permanece após o acontecimento, o desaparecimento do ponto de apoio, o desequilíbrio do nosso mundo.

“Tornado” é um livro duro, não nos poupa. E exige investimento por parte do leitor, a narrativa não segue uma cronologia linear, do mesmo modo que as nossas recordações, as memórias que lembramos ou imaginamos, também não o são”, referiu o professor catedrático para quem “Em alguns dramáticos parágrafos, lemos a revelação da violação que sofreu, ainda adolescente, num quarto em que se refugiou para se proteger da trovoada e do medo que ela lhe causava, entontecida, ensonada com o muito álcool que consumira”.

Para além do sofrimento, da perda, de episódios sombrios da infância, o livro revela “A alegria e as dores de um primeiro amor, extremas, como são sempre as desses amores nascidos em tempo de liceu, só que este é marcado pelo segredo, pelo ilícito do envolvimento com um homem bem mais velho, professor, estrangeiro em Moçambique, e casado. Amor impossível, amor sofrido que termina de forma abrupta num hotel em Lisboa. Outros amores há, em França, amores felizes ou inconsequentes, com finais infelizes ou que simplesmente se desvanecem”.

A condizer com a narrativa, tão profunda quanto avassaladora, a escrita é, de acordo com Álvaro Carmo Vaz, bem conseguida: “Li e reli o livro e a escrita é perfeita, não encontrei uma palavra que devesse ser outra, uma frase que ficaria melhor num outro sítio. Este livro, parece-me, não é fruto de um rasgo de inspiração, de uma escrita a jato. Para se chegar a este apuro da escrita, imagino que frases, parágrafos, páginas inteiras, foram reescritas duas, três, dez vezes, com a autora a agonizar sobre a justeza de cada linha, sobre o encadeamento das frases, sobre a arrumação dos episódios. É um grande exemplo para nós, em Moçambique, onde se publicam inúmeros livros, muitos deles com excelentes ideias, sem que se lhes seja dado o necessário tempo de maturação, do repensar, do reescrever, que uma obra séria exige”.

Durante a cerimónia de lançamento, Teresa Noronha falou do trabalho, dos anos que levou a escrever, das versões intermináveis do livro até ser decisivamente incentivada a publicar pelo seu marido, António Cabrita, que a acompanhou durante todo o processo. A cerimónia do lançamento contou com a presença de amigos, escritores, professores e membros da direção da EPM-CELP.

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