“Contos da Lua e Outros Mistérios” aproxima literatura e ciência dos alunos

Na Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), a Lua serviu de mote para falar de ciência, crenças e imaginação. A partir das histórias de Angelina Neves, os alunos procuraram distinguir factos científicos de crenças transmitidas entre gerações e perceber como a imaginação enforma a criação literária. O lançamento do livro “Contos da Lua e Outros Mistérios”, a 15 de outubro, no Auditório Carlos Paredes, incluiu leitura, perguntas à escritora e ao ilustrador Humberto Ossemane e uma reflexão lançada a todos: o que pode tornar o mundo melhor?

A apresentação contou com a participação dos alunos da turma A do 11.º ano, que colocaram perguntas à escritora e ao ilustrador. A conversa permitiu conhecer melhor o processo de criação de um livro, desde as primeiras ideias para as histórias até à escolha das imagens que as acompanham.

Numa das atividades, foi proposto aos alunos classificar afirmações sobre a Lua, identificando as que pertenciam ao domínio da ciência, da crença ou da imaginação. Entre as questões discutidas esteve a origem da luz lunar, que resulta da reflexão da luz solar na superfície da Lua, e a possível influência dos ciclos lunares no comportamento de alguns animais.

A discussão mostrou como a ciência, as crenças e a imaginação oferecem diferentes formas de olhar para o mundo. A primeira procura explicar os fenómenos através da observação e da investigação; as crenças são transmitidas entre gerações, enquanto a imaginação permite criar histórias e explorar outras possibilidades.

Na conversa com os alunos, Angelina Neves contou que algumas das histórias e crenças incluídas no livro vêm da sua infância, do que ouvia na altura. Outras levaram-na a investigar e a confirmar informações antes de as passar para o papel. A Lua, disse, sempre a fascinou e inspirou histórias construídas em torno da sua presença e dos cenários que proporciona. “A Lua sempre me fascinou. Sempre. Sempre. A Lua era uma coisa... era sempre uma magia especial”, afirmou.

Sobre a escrita, a autora explicou que uma história exige tempo e trabalho. Ter uma ideia é apenas o começo: é preciso encontrar uma forma de a desenvolver e torná-la interessante para o leitor. O tempo dedicado a cada conto varia e pode chegar a cerca de um mês, dependendo da história.

Angelina Neves falou também da importância da imaginação e da persistência, incentivando os alunos a escrever, rever os textos e continuar a trabalhar para aperfeiçoar a linguagem.

Por sua vez, Humberto Ossemane explicou que começa por ler e reler as histórias antes de decidir como as transformar em imagens. É nesse processo que procura encontrar uma abordagem visual para as personagens e os acontecimentos narrados. “Então, a ilustração é a imaginação”, resumiu.

O ilustrador contou que continua a trabalhar com materiais tradicionais, como lápis, borracha e papel A4. Desenha, apaga e volta a desenhar até chegar ao resultado que procura. “Eu uso lápis, borracha, papel A4 para desenhar, apagar, até apanhar o efeito, o bom efeito”, explicou. Para Ossemane, a leitura é fundamental para construir as imagens, embora a interpretação de uma história também dependa da imaginação de quem a lê.

Lua livro P1

Os alunos quiseram ainda saber mais sobre as escolhas feitas nas ilustrações, incluindo a representação das personagens e de outros elementos das histórias. As perguntas levaram a conversa para os detalhes visuais e para as decisões que fazem parte da criação do livro.

No final, os alunos foram convidados a pensar numa ideia que pudesse tornar o mundo melhor, a partir de uma das histórias. Entre as respostas, surgiram propostas relacionadas com o acesso à educação, a concretização dos sonhos das crianças e o cuidado com os animais.