Maxaquene “C” vence 13.ª edição do Festival Escolas com Livros

A Escola Primária de Maxaquene “C” conquistou o primeiro lugar da 13.ª edição do Festival Escolas com Livros, cuja cerimónia de encerramento decorreu na sexta-feira, 9 de outubro, no edifício do Ministério da Educação e Cultura, em Maputo. A final reuniu quatro escolas, cujos alunos apresentaram dramatizações, declamações de poesia, música e outras formas de interpretação de obras literárias.

A classificação foi disputada pela Escola Comunitária Rainha da Paz, pela Escola Primária da Imaculada, pela Escola Primária Matchick-Tchick e pela Escola Primária de Maxaquene “C”, apuradas após duas eliminatórias que envolveram cerca de 26 instituições de ensino.

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A escola vencedora apresentou uma interpretação da obra “Nyeleti, a Filha das Estrelas”, de Rafo Diaz, que, no final, felicitou os alunos pela prestação, numa mensagem em vídeo projetada durante a cerimónia. Cada participante da equipa recebeu um voucher de compras no valor de 3.000 meticais, patrocinado pelas lojas PEP.

A Escola Comunitária Rainha da Paz, que apresentou “O Rei Mocho”, ficou em segundo lugar, com um prémio de 2.500 meticais por aluno. A Escola Primária da Imaculada, com a peça “Mamana Fanisse”, inspirada no livro “Hamina e Outros Contos”, alcançou a terceira posição, recebendo um voucher no valor de 2.000 meticais. O quarto lugar coube à Escola Primária Matchick-Tchick, que levou à final a peça “Correr não é chegar”, distinguida com um voucher de 1.500 meticais.

Para além dos prémios monetários, a iniciativa contemplou os alunos com materiais escolares e livros, de acordo com a classificação. O Instituto Camões anunciou ainda a realização de uma oficina com a escritora Mafalda Cordeiro, no âmbito de uma residência artística a decorrer em Maputo.

 

Livros no palco

Antes do anúncio dos resultados, as quatro escolas finalistas apresentaram trabalhos preparados a partir de publicações da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP).

A Escola Primária Matchick-Tchick abriu a sequência com “Correr não é chegar”, uma peça de carácter didático construída em torno das personagens Luana e Enzo. Enquanto Luana respondia rapidamente às perguntas, sem pensar muito, Enzo procurava refletir antes de responder. Entre diálogos, narração e declamação poética, os alunos exploraram a importância da atenção, da paciência e da aprendizagem.

“Quem trabalha com pressa pode falhar, mas quem aprende com atenção e dedicação pode longe chegar” foi uma das frases que marcaram a apresentação. “Cada passo tem o seu tempo” e “cada passo conta” foram outras das mensagens transmitidas.

A Escola Primária da Imaculada apresentou “Mamana Fanisse”, a partir da obra “Hamina e Outros Contos”. Seguiu-se a Escola Comunitária Rainha da Paz, com “O Rei Mocho”, e, por último, a Escola Primária de Maxaquene “C”, com “Nyeleti, a Filha das Estrelas”.

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Fora da competição, alunos da Escola Portuguesa de Moçambique encerraram os momentos artísticos com a canção “Quando eu for grande”.

 

A leitura como instrumento de aprendizagem

Escola Livros DiretoraNa cerimónia, a presidente da Comissão Administrativa Provisória da EPM-CELP, Luísa Antunes, destacou o papel da leitura na formação das crianças, considerando-a fundamental para o desenvolvimento da sensibilidade, da autonomia, do sentido crítico e da imaginação.

A responsável sublinhou que o festival representa mais do que um concurso: “é um espaço de encontro, expressão e criatividade, no qual os alunos dão voz às histórias que leem e transformam os livros em experiências de aprendizagem”.

A iniciativa integra o projeto “Mabuko Ya Hina” (Os Nossos Livros), criado em 2010 e desenvolvido pela EPM-CELP em parceria com o Ministério da Educação e Cultura de Moçambique e a Rede de Bibliotecas Escolares de Portugal. O projeto procura promover o acesso aos livros, incentivar o gosto pela leitura e contribuir para a formação de leitores autónomos e críticos, através de bibliotecas escolares, maletas de leitura e atividades de dinamização literária.

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O embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, destacou a importância da cooperação entre as instituições dos dois países na promoção da leitura. Na sua intervenção, defendeu uma visão partilhada sobre o papel dos livros na educação, sem desconsiderar as realidades, os contextos e as necessidades próprias de cada país.

O diplomata assinalou ainda o contributo dos professores, bibliotecários, educadores e famílias para a formação de leitores, destacando os alunos como o centro do festival. Considerou que o mérito da iniciativa não se limita à classificação final, uma vez que a participação permite às crianças ampliar o contacto com os livros e desenvolver a confiança necessária para se expressarem.

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Em representação da ministra da Educação e Cultura, Claudina Beti Monteiro Cassamo de Sá, secretária permanente interina, reafirmou-se a importância do livro no processo de ensino e aprendizagem. A intervenção relacionou a promoção da leitura com os desafios definidos no Plano Estratégico da Educação 2020-2029, particularmente no desenvolvimento das competências de leitura, escrita e cálculo básico nas classes iniciais.

A responsável destacou igualmente a importância das bibliotecas escolares, não apenas como espaços de acesso à informação, mas também como lugares de desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e da capacidade de aprendizagem.

 

Uma iniciativa com percurso nas escolas

A 13.ª edição do Festival Escolas com Livros desenvolveu-se ao longo do ano letivo, com atividades nas escolas participantes e duas fases de seleção. A primeira eliminatória decorreu entre 22 de junho e 10 de julho, enquanto a segunda teve lugar de 9 a 18 de setembro, culminando na escolha das quatro finalistas.

Segundo os dados apresentados pelo Ministério da Educação e Cultura, o festival envolveu cerca de 389 alunos, com uma média aproximada de 20 participantes por escola. Na cerimónia final, as quatro escolas apuradas reuniram dezenas de alunos em torno das apresentações literárias.

Ao longo do projeto, as crianças são incentivadas a ler, interpretar e recriar obras, num processo que envolve também professores e comunidades escolares. A iniciativa procura, assim, associar o desenvolvimento das competências de leitura à expressão artística e à participação dos alunos.

De referir que todas as escolas participantes receberam certificados de participação.

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