Carnaval escolar volta a unir a EPM-CELP e a Escola Francesa em Maputo

Dois anos após a primeira experiência conjunta, a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) e a Escola Francesa Internacional de Maputo voltaram a celebrar o Carnaval com um desfile que transformou a Rua do Rio Raraga num espaço de partilha, criatividade e expressão cultural. A iniciativa, realizada na manhã de terça-feira, reuniu centenas de alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo, reafirmando o caráter integrador desta celebração no contexto escolar.

A rua encheu-se de cor e movimento, com fantasias que evocavam tanto o imaginário infantil quanto referências culturais diversas. Entre as figuras que mais se destacaram, estiveram crocodilos de tonalidades vibrantes, inspirados na fauna moçambicana, e grupos de abelhas que, desfilando de forma coordenada, produziram um efeito visual simultaneamente harmonioso e lúdico. Máscaras elaboradas, adereços criativos e trajes cuidadosamente concebidos contribuíram para a construção de um cenário festivo que mobilizou não apenas os alunos, mas também professores, encarregados de educação e transeuntes que se associaram espontaneamente à celebração.

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Segundo os docentes do pré-escolar, Sandra Camacho e Paulo Jorge, o trabalho desenvolvido privilegiou a articulação entre tradições carnavalescas portuguesas e elementos culturais africanos. As crianças exploraram, por exemplo, referências ao Carnaval de Lazarim, visíveis nas indumentárias coloridas e nas máscaras inspiradas nos caretos. Para assegurar uma organização eficaz, as turmas foram distribuídas tematicamente: algumas dedicaram-se à representação dos caretos, enquanto outras encarnaram os denominados gigantões, respeitando a diversidade simbólica característica destas manifestações.

De referir que todo o processo de conceção, desde a elaboração das máscaras até à preparação dos trajes e adereços, decorreu ao longo de cerca de um mês, em contexto de sala de aula, através de ateliers que envolveram ativamente pais e encarregados de educação. Tal envolvimento consolidou a dimensão comunitária do evento, transformando-o num exercício coletivo de criação e pertença.Carnaval p5

No 1.º ciclo, o desfile contou com a participação de 490 alunos. Segundo a coordenadora, Teresa Jerónimo, a iniciativa foi subordinada à temática dos animais, integrando-se num trabalho de investigação previamente desenvolvido ao longo do ano letivo. E cada ano de escolaridade representou uma espécie distinta: o 1.º ano dedicou-se aos crocodilos, o 2.º ano aos leões, o 3.º ano às abelhas e o 4.º ano aos animais marinhos, com especial destaque para as medusas.

A seleção destes temas resultou de um projeto de pesquisa iniciado no primeiro período, que se estendeu por cerca de quatro meses, envolvendo momentos sistemáticos de estudo, recolha de informação e aprofundamento de conhecimentos. A colaboração dos pais e encarregados de educação, frisou a docente, foi determinante para a concretização da atividade, reforçando a articulação entre a escola e a comunidade educativa.Carnaval p4

A dimensão musical constituiu igualmente um eixo estruturante do desfile. Temas tradicionais portugueses serviram de base à animação, com destaque para os instrumentos musicais, a gaita-de-foles e os bombos, estes últimos executados pelos alunos da Sala do Ensino Estruturado, em colaboração com o Departamento de Música.

Integrado no calendário cultural de ambas as instituições, o desfile confirmou o Carnaval como um espaço privilegiado de encontro entre a escola e a cidade, promovendo não apenas a celebração festiva, mas também o diálogo intercultural e o fortalecimento dos laços comunitários em Maputo.

 

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