O Camões – Centro Cultural Português em Maputo acolheu, na sexta-feira, 24 de abril, as comemorações dos 52 anos da Revolução dos Cravos, num evento que reuniu música, testemunhos e poesia, com casa cheia.
A sessão, que contou com intervenções do embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, e do diretor do centro, José Amaral Lopes, incluiu um concerto da banda Zaranza & Amigos, o testemunho do coronel, Duarte Torrão, militar já aposentado, que participou nas ações de 24 (no quartel da Pontinha) e 25 de abril, bem como a encenação de um excerto de um monólogo de Gil Vicente, interpretado pelo ator Leites.
Houve ainda declamação de poemas alusivos à data, por alunos da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa, num momento poético que percorreu diferentes gerações da literatura portuguesa, do modernismo à poesia de resistência e de intervenção. Yara Graça foi a primeira a dar voz às letras, declamando “Esta é a Madrugada que eu esperava” de Sophia de Mello Breyner Andresen, seguida de Dominique Nhampossa, com Reinaldo Ferreira em “Receita para fazer um Herói”.
A dimensão simbólica do 25 de Abril aprofundou-se com “Salgueiro de Maia”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, interpretado por Alana Samuel e Daniela Rodrigues. Milena Sousa declamou “Livre”, de Carlos Oliveira, enquanto o professor Aníbal Silva interpretou “Em Abril de Sim Abril de Não”, de Manuel Alegre. Inês Henriques interpretou “António de Oliveira Salazar”, de Fernando Pessoa, e o fecho coube a Jasmine Ascenso, com “Urgentemente”, de Eugénio de Andrade.

No testemunho, memória e significados da efeméride, Duarte Torrão afirmou que, apesar de existirem tentativas de descredibilização do 25 de Abril, o sentido de missão vivido na época permanece entre os que acreditaram na liberdade. Emocionado, corroborou a intervenção do professor Aníbal Silva, que recordou o período anterior à revolução, vivido em Portugal.
As comemorações reuniram cidadãos portugueses e moçambicanos numa tarde dedicada à memória da revolução e à evocação dos valores da liberdade e da democracia.
