Assinalar Dia da Síndrome de Down com foco na inclusão real em sala de aula

Numa escola com rotinas, horários e exigências comuns, há um esforço silencioso e que nem sempre se vê: o de garantir que todos aprendem, cada um ao seu ritmo. Foi esse trabalho diário que a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) destacou ao assinalar o Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado a 21 de março, com uma vasta ação de sensibilização, sob o lema, “Ver Além do Cromossoma”.

Mais do que assinalar uma data simbólica, a iniciativa, coordenada pelo Departamento de Educação Especial, teve como propósito sensibilizar a comunidade escolar o Síndrome de Down e as especificidades associadas. “São pessoas fantásticas. A síndrome de Down não é uma deficiência, é uma alteração genética dos cromossomas”, sublinha Margarida Fortuna, coordenadora do Departamento de Educação Especial.

O evento focou-se na desconstrução de mitos e na promoção de estratégias de inclusão ativa entre pares, reforçando que a aprendizagem na escola regular é um direito inalienável. Com esta ação, a EPM-CELP consolida o seu papel como referência na educação inclusiva em Moçambique, pautando-se por valores de equidade e respeito pela diferença.

Atualmente, a escola acompanha três alunos com Síndrome de Down: um no pré-escolar, outro no 1.º ciclo e um terceiro no 2.º ciclo. A presença destes alunos, segundo a responsável, tem sido também uma oportunidade para desmontar preconceitos. “São crianças muito sociáveis, bem-dispostas e com muitas potencialidades nas artes, sobretudo no canto e na dança”, explica.

A ação de sensibilização procurou, sobretudo, informar e, ao mesmo tempo, orientar sobre como interagir, como incluir, bem como reconhecer capacidades que muitas vezes passam despercebidas. “Quisemos dar informação sobre esta alteração genética e mostrar quais são as potencialidades que eles têm, nas várias áreas”, acrescenta.

A estratégia de integração da EPM-CELP assenta na flexibilização curricular e na criação de ambientes de aprendizagem que respeitem os ritmos individuais, garantindo que a equidade não seja apenas um conceito abstrato, mas uma realidade quotidiana na sala de aula. A fundamentação desta praxis encontra eco nos princípios consagrados no Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, que preconiza uma escola onde as características individuais não constituem barreiras, mas sim pontos de partida para oportunidades de aprendizagem diferenciadas.

sindrome de down 1

“É tudo muito à base de aspetos lúdicos, mas que estão a desenvolver áreas de desenvolvimento”, explica Margarida Fortuna. A estratégia passa também por integrar os alunos nas atividades em que mais se destacam. “Eles cantam, dançam… e é muito gratificante ver, porque têm sucesso e são muito bem aceites pelos colegas”.

Para além da vertente teórica, foram partilhadas orientações práticas destinadas a transformar os alunos em verdadeiros aliados da inclusão. Pequenos gestos, como o convite ativo para o convívio, a paciência na mediação comunicacional e o tratamento respeitoso e adequado à idade, foram apontados como comportamentos essenciais para uma convivência harmoniosa e enriquecedora.

A celebração culminou com a evocação da máxima do atleta Scott Hamilton: “A única deficiência na vida é uma má atitude”. Esta citação sintetiza o propósito da EPM-CELP em fomentar uma mudança de mentalidades que transcenda os muros da escola.

Ao reafirmar o seu compromisso com os valores da educação inclusiva, a instituição consolida uma cultura escolar onde a diversidade é reconhecida como um ativo intelectual e social. A convicção partilhada é a de que a diferença não só enriquece o mundo, como é a força motriz para uma sociedade mais justa, empática e verdadeiramente humana.

Sob o lema “Síndrome de Down: Ver Além do Cromossoma”, a comunidade escolar foi esclarecida sobre a natureza genética desta condição — a presença de um cromossoma extra (47 em vez dos habituais 46) — e a simbologia da data, 21 de março, que remete para a triplicação do cromossoma 21.