EPM-CELP assinala nascimento de José Craveirinha

Hoje, 28 de maio, a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) celebra o nascimento de José Craveirinha, patrono da Biblioteca Escolar e uma das figuras maiores da literatura moçambicana.

O nome Craveirinha atravessa corredores, livros, projetos e memórias desta instituição e continua presente na forma como a Escola procura promover a cultura, construir a sua própria identidade e atingir o seu propósito, de prover uma formação e educação holistica.

Em janeiro deste ano, durante as celebrações do 26.º aniversário da EPM-CELP, assinaladas sob o lema “26 anos – exemplos que nos inspiram”, a Escola reafirmou-se como um espaço onde a educação se constrói em diálogo permanente com valores culturais, humanos e a criatividade.

Ao lado de Dilon Djindji, Malangatana Valente Ngwenya e Carlos Paredes, José Craveirinha foi uma das referências evocadas, numa celebração que reconheceu as figuras, cujo legado, continua a iluminar caminhos, a estimular o pensamento crítico e a inspirar novas gerações.

Poeta, jornalista e voz incontornável da consciência moçambicana, José João Craveirinha nasceu em 28 de maio de 1922 em Maputo e faleceu a 6 de fevereiro de 2003. Considerado o maior poeta de Moçambique, iniciou a sua carreira como jornalista no jornal “O Brado Africano”, tendo trabalhado e colaborado com diversos órgãos de informação em Moçambique.

 

Em 1965 foi preso pela PIDE por ligação à Frelimo, liberto no mesmo ano, prosseguiu com a sua obra poética e tornou-se o primeiro presidente da Assembleia Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, cargo que exerceu de 1982 a 1987.

Publicou: Xigubo (1964,1980), Cantico a un dio di Catrame - edição bilingue português/italiano – (1966 trad. e prefácio Joyce Lussu):Académica (1974, 1982) Cela 1: INLD (1980), Maria: Lisboa, África Literatura Arte e Cultura (1988), Izbranoe: Moscovo, Molodoya Gvardiya, em língua russa (1984), Hamina e outros contos (1998), Maria: Maputo: Ndjira (1998), Poemas da Prisão: Lisboa, Texto Editora (2004), Poemas Eróticos: Moçambique Editora/Texto Editores (2004), Hamina e Outros Contos: Escola Portuguesa de Moçambique (2022).

José João Craveirinha ganhou vários prémios, entre eles: Prémio Cidade de Lourenço Marques (1959), Prémio Reinaldo Ferreira do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961), Prémio de Ensaio do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961), Prémio Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, Portugal (1962), Prémio Nacional de Poesia de Itália (1975), Prémio Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos (1983), Medalha Nachingwea do Governo de Moçambique (1985), Medalha de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Brasil (1987), Prémio Camões (1991), Comendador da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal (21 de Abril de 1997).

Em sua homenagem, foi instituído o Prémio José Craveirinha de Literatura, criado em 2003 pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e considerado o mais prestigiado galardão literário do país. Patrocinado pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), distingue autores e obras que contribuem para a valorização e afirmação da literatura moçambicana, perpetuando o legado do “poeta-maior”.