Encerraram, na sexta-feira, 30 de janeiro, as comemorações do 26.º aniversário da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), celebrações, que este ano se cruzaram com os 10 anos do projeto “Mãos na Ciência”. Sob o lema “26 anos – exemplos que nos inspiram”, a Escola reafirmou-se como um espaço onde a educação se constrói em diálogo permanente com a cultura, a criatividade e os valores humanos.
Valorizando a memória, a criatividade e sua própria cultura institucional, a EPM-CELP evocou grandes referências da arte, da música e da literatura – Dilon Djindji, Malangatana Valente Ngoenha, José Craveirinha e Carlos Paredes, patronos respetivamente da Ala da Música, da Ala das Artes, da Biblioteca Escolar e do Auditório. Ao homenagear estas figuras, a Escola celebrou mais de duas décadas de existência, reconhecendo exemplos que, pelo seu contributo social, cultural e artístico, continuam a iluminar caminhos e a moldar consciências.
Ao longo de cinco dias de atividades intensas, este propósito ganhou forma num programa diversificado e participativo, que transformou a Escola num verdadeiro território de expressão artística, partilha e encontro. Alunos, professores, funcionários e convidados foram parte ativa de uma vivência que se destacou pela criatividade e pelo convívio intergeracional.
Foi neste ambiente que o último dia das comemorações ficou marcado pelo momento “O Palco é Teu”, em que alunos e professores puderam mostrar os seus diferentes talentos. Para além de interpretações musicais em karaoke, teve grande destaque um exercício técnico de improvisação instrumental, protagonizado por professores, num registo de fusion jazz, que transbordou complexidade e sofisticação, conquistando o público pela ousadia e qualidade musical.
Durante a tarde, enquanto o Auditório Carlos Paredes se preparava para acolher a sessão solene, a dinâmica da celebração estendeu-se aos corredores e a alguns gabinetes da Escola. Os espaços receberam a visita de convidados especiais, o Secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, a Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal, Ana Isabel Xavier, e as respetivas comitivas, acompanhadas por membros da Comissão Administrativa Provisória (CAP) da EPM-CELP, alunos e professores.
A visita assumiu um caráter próximo e interativo, permitindo o contacto direto com os alunos e a descoberta das várias valências que a Escola oferece. Este percurso culminou na aguardada sessão solene, vivida em clima de festa, música e emoção, e que teve como ponto alto a tradicional entrega de prémios de mérito escolar e a homenagem aos alunos que se destacaram no ano letivo 2024/2025.
A cerimónia teve início com a entoação dos hinos de Moçambique e de Portugal, executados instrumentalmente e em coro por alunos e professores da Escola. Nos discursos que se seguiram, de forma intercalada, foi sublinhado o percurso da EPM-CELP ao longo dos seus 26 anos de existência.

A presidente da CAP, Luísa Antunes, destacou que a EPM-CELP “tem sido um espaço de encontros, diálogos e construção de pontes entre culturas, saberes e gerações”. Nesse sentido, frisou que a sessão solene “é mais do que o cumprimento de um ritual ou de uma tradição; é a restituição de um momento merecido, uma homenagem à resistência silenciosa que nos define como comunidade”.
Neste aniversário, acrescentou, “a memória convoca-nos à celebração dos nossos quatro patronos – Malangatana Valente Ngoenha, Dilon Djindji, José Craveirinha e Carlos Paredes. Quatro vozes, quatro gestos, quatro formas de interpretar o mundo”. Em cada um deles, afirmou, “encontramos as marcas da nossa identidade: o traço firme, a cor vibrante, a palavra que transforma e a música que nos une”. Estas figuras, sublinhou ainda, “constituem símbolos vivos da nossa estratégia de cooperação e da sólida e frutuosa relação entre Portugal e Moçambique, refletida diariamente no trabalho desenvolvido nesta casa”.
“A Escola Portuguesa de Moçambique é um exemplo muito claro de sucesso”
Entre os momentos mais marcantes da cerimónia esteve a entrega do Prémio Baltazar Rebelo de Sousa, atribuída pela Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ana Isabel Xavier, à aluna Taís dos Santos Biener Pedro, do 11.º A2.
No seu discurso, a governante elogiou o trabalho desenvolvido pela Escola, com destaque para o projeto – ainda em preparação – que visa tornar a EPM-CELP a primeira escola fora de Portugal a integrar um Centro Ciência Viva. “A Escola Portuguesa de Moçambique é um exemplo muito claro de sucesso. E não é apenas o sucesso medido pelas boas notas dos alunos. É também o impacto que esta escola tem no futuro de Moçambique, na promoção das relações entre Portugal e Moçambique e no estreitamento dos laços entre os cidadãos dos dois países”, afirmou.
Ana Xavier sublinhou ainda que a EPM-CELP “não serve apenas a comunidade portuguesa. É uma escola aberta ao país em que se insere. Não é por acaso que mais de metade dos seus estudantes são moçambicanos”. Por isso, acrescentou, “a excelência desta Escola contribui para assegurar um futuro melhor para todos”.
Dirigindo-se diretamente aos alunos, deixou uma mensagem clara: “É aqui que começa o vosso processo para se tornarem líderes do mundo. É isso que se espera de vós, que têm o privilégio de estudar nesta escola”.

A sessão prosseguiu alternando discursos e momentos culturais. Nesse contexto, o Embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, procedeu à entrega do Prémio de Mérito Social e Coletivo ao grupo estudantil Unidos pelo Ambiente (UPA). Na ocasião, afirmou que “aqui encontramos o exemplo de excelência, aquilo que é o melhor de nós, o melhor de Portugal”. Para o diplomata, trata-se de “um trabalho coletivo que, ao longo de 26 anos, contribuiu para esta excelência”, acrescentando que “isto faz parte do ADN da política portuguesa, que é a cooperação”.
No plano musical, Gabriel Mafuca, aluno do Curso Profissional de Técnico de Multimédia, e a professora Vanessa Coelho interpretaram o tema “Deslocado”, da banda portuguesa Napa. Seguiu-se “Que o Amor Te Salve”, de Pedro Abrunhosa, interpretada pelos professores Leandra Reis, Agnes Golias, Euclides Fumo e Bárbara Pereira, num momento marcado pela sensibilidade e pela mensagem humanista da canção.
A dimensão artística da sessão integrou ainda a dramatização coreografada do poema “Xigubo”, de José Craveirinha, apresentada pelos alunos da Escola Secundária Estrela Vermelha, num momento de forte carga simbólica e expressiva.
Também o nome de Dilon Djindji foi evocado através da dança, com uma atuação vibrante dos alunos do Grupo de Dança do Desporto Escolar, que arrebatou os presentes com energia, ritmo e expressividade.
A excelência vivida na EPM-CELP foi igualmente testemunhada por vozes da comunidade escolar, entre elas a de Yuri Damasceno, ex-aluno da Escola e atualmente doutorando em Astrofísica na Universidade do Porto.
“Ao longo dos anos que aí estive, guardei memórias muito felizes. Foi nessa escola que descobri o gosto pela física e pela matemática. A EPM-CELP foi um grande tutor da vida. Ajudou-me a crescer, a ganhar maturidade e consciência do mundo à minha volta. Ensinou-me a formar opiniões e a respeitar os outros”, afirmou, sublinhando que “estudem, esforcem-se e aproveitem cada momento. Mas também se divirtam e criem memórias que ficarão convosco para o resto da vida”.

As celebrações encerraram com um Porto de Honra, após uma atuação conjunta de professores, alunos e funcionários no átrio da Escola, ao som do emblemático Hino da EPM-CELP, num final marcado pelo sentimento de pertença, comunidade e celebração partilhada.
