EPM-CELP lançou “Moya”, um livro feito de afetos, memória e escuta

No âmbito da programação alusiva às comemorações do seu 26.º aniversário, a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) acolheu, na segunda-feira, numa cerimónia intimista, o lançamento do livro “Moya e o Pequeno Gigante Solitário”, com texto do poeta moçambicano Álvaro Fausto Taruma e ilustrações do pintor chileno Francisco Sepúlveda.

Editada pela EPM-CELP em novembro de 2025, a obra nasce do diálogo entre a literatura, a imagem e os afetos. E, mais do que um livro infantil, afirma-se como um gesto de aproximação entre a Escola e a criação artística, reforçando o compromisso da instituição com a promoção da leitura, da Língua Portuguesa e da literatura moçambicana junto das novas gerações.

A apresentação esteve a cargo do jornalista e crítico literário José dos Remédios, que destacou a natureza múltipla do autor. Para o apresentador, Álvaro Fausto Taruma é “um autor multifacetado”, alguém que encontra na palavra o seu principal território de expressão, seja na poesia, na narrativa ou no cruzamento com outras linguagens artísticas.

Na leitura que fez da obra, José dos Remédios chamou atenção para o modo como o livro aborda o “tempo”. Em “Moya e o Pequeno Gigante Solitário”, passado e presente caminham lado a lado, cruzam-se, confundem-se. “Há um jogo simbólico com o tempo, uma construção anacrónica”, observou, sublinhando que se trata de um livro que convida à reflexão sobre as relações humanas e sociais.

Antes das palavras, veio a música. O coro dos alunos do 3.º F abriu o momento, com a canção “A ciência Veio à Escola”, acompanhados pelas professoras Agnes Golias, no violino, e Leandra Reis, ao piano. Seguiu-se a leitura dramatizada pelo professor de teatro e ator, Rogério Manjate. O texto ganhou corpo, ritmo e vida própria. O público foi convidado a participar, emitindo sons da natureza, interpretando vento, água e movimento, e, de forma quase espontânea, a leitura transformou-se numa experiência coletiva, sensorial, partilhada.

À distância, a partir do estrangeiro, o ilustrador Francisco Sepúlveda deixou uma mensagem em vídeo, projetada no átrio da Escola. Falou da alegria do encontro criativo com Álvaro Fausto Taruma e da cumplicidade artística que marcou o processo. “Foi interessante trabalhar com o Álvaro”, disse, reconhecendo o seu talento e sensibilidade literária.

Já o autor, revelou que o livro emerge de três contextosmuito pessoais. O primeiro tem origem na paternidade, no momento em que se tornou pai de Moya, o seu primeiro filho. O segundo está ligado à amizade que o une a Sepúlveda. “No início, ele queria que eu usasse uma gravura sua num dos meus livros, mas a poesia não dialogava com aquelas imagens. Mais tarde, quando realizou uma exposição, decidimos transformar aquelas obras em livro”, contou. O terceiro motivo é o mais íntimo de todos. Está ligado à Ilha de Inhaca, sua terra natal. O verde, o riacho, os cenários que atravessam a narrativa remetem a uma infância intensa, feita de desafios, mas também de imaginação, esperança e descoberta. São memórias que atravessam o livro e lhe dão uma camada emocional profunda, quase silenciosa, mas persistente.