Espelhos do Tempo: O Adolescente que fui, o Adolescente que educo

Realizaram-se nos dias 17 e 25 de março duas sessões com pais e mães dos alunos/as do 7.º ano subordinadas ao tema “Espelhos do Tempo: O Adolescente que fui, o Adolescente que educo”. Estas sessões foram conduzidas pela Dra. Alexandra Melo, psicóloga do Serviço de Psicologia e Orientação da EPM-CELP e acompanhadas pelas Coordenadoras do 3.º ciclo e do ensino secundário, pela Assistente Social, e pela Direção da instituição.

Estas sessões, entre outras iniciativas que a Escola tem vindo a desenvolver, decorrem da preocupação pelo estado da saúde mental dos alunos/as, verificando-se um número crescente de alunos a necessitar de acompanhamento psicológico no SPO, com ansiedade, ataques de pânico, lesões auto-infligidas e quadros de depressão, que nos casos mais graves, tornam necessário o encaminhamento para contexto hospitalar.

São muitas e variadas as pressões a que os alunos/as estão sujeitos, com diversas variáveis e fatores de risco associados. Observa-se, cada vez mais, inabilidade dos alunos na gestão das situações de tensão emocional. Neste sentido, a Escola tem vindo a trabalhar estas temáticas em ambiente de turma/ano/ciclo e contactando, sempre que necessário, os pais e as mães de quem requer uma atenção especial. É fundamental continuar a trabalhar em conjunto com os pais e mães em geral, para prevenir, mas também para identificar e agir prontamente nas situações de risco.

As sessões com os pais e mães do 7.º ano são um exemplo do que se pretende desenvolver de forma mais estruturada e articulada, incentivando a aproximação dos pais e mães à Escola.  De notar, no entanto, que estas ações já tiveram início, no presente ano letivo, no 1º período com pais das turmas do 5º ano e algumas turmas do 10.º e 11.º anos.

De um universo de cerca de 240 pais e mães de alunos do 7.º ano, 53 preencheram o formulário on-line a todos enviado. Destes, 41 inscreveram-se para uma das sessões e, finalmente, 30 marcaram presença. 30 pais e mães não representam mais de 13% do total!  

Agendadas com uma duração prevista de 1h30, facilmente este tempo foi ultrapassado, dado, por um lado, a preocupação e o interesse que este tema desperta, mas, por outro, pelos momentos de partilha descontraída e saudável que se gerou entre os intervenientes.

Voltar a recordar a adolescência, o que implica retroceder uns 25 a 35 anos, foi desafiante. Partilhar em pequenos grupos e depois, de forma mais alargada, com outros adultos com vivências e contextos variados foi muito enriquecedor. Nem sempre foi fácil separar o adolescente que fomos sem projetar no adulto que somos e na forma como lidamos com o adolescente que educamos, mas, ainda assim, foi possível dar forma aos sentimentos vividos quando só ocupávamos o lugar de filhos, com sentimentos semelhantes aos que vemos nos nossos filhos hoje, mas nem sempre percebemos. 

O retorno dos pais e mães presentes foi muito positivo, conforme podemos ver em alguns dos testemunhos que aqui deixamos, esperando que cative e atraia mais participantes em iniciativas futuras.

“Gostei muito, acho que o facto de até sermos um grupo pequeno, criou um ambiente acolhedor e à vontade. As orientações da equipa até para nós foi momento de desabafo, de partilha e de troca. Todos nós saímos de lá muito felizes… Cada um de nós pode partilhar com os outros pais. O formato está perfeito, "mesa de café" funcionou bem, trabalhamos em grupo, depois em subgrupos de 3 ou 4 pais e seguida de partilha alargada. Estão de parabéns. É dar continuidade. Obrigada!”

“Gostamos sim e achamos que deva acontecer mais vezes sem dúvida, foi muito útil, eu poderia ter ficado em conversa por mais 1hora lol”

“Por acaso gostei, foi interessante, uma experiência boa, percebi que tenho que mudar alguma coisa no meu ser em relação ao meu filho.  Acho que em algum momento podemos fazer com os miúdos presentes. Vamos repetir sim!”

“Fez-me bem. No início senti-me um pouco perdida porque não sabia "qual era a linha de debate", mas foi superinteressante e conversar, ouvir e partilhar experiências e vivências da adolescência que concorreram para a formação dos adultos que somos e como o que absorvemos e vivenciamos naquela fase pode influenciar e conduzir a vida dos nossos filhos.

“O formato foi excelente, permite maior interatividade e descontração.  Foi bastante útil e oportuno! Por mim, vale a pena continuar e estou disposta a participar sempre. A psicológica conduziu super bem o assunto e finalizou com aspetos que me permitiram perceber onde "peco".”

O objetivo foi alcançado e o feedback positivo, mas há lições a retirar e aspetos a melhorar no futuro, seja no formato, no horário, seja no âmbito mais ou menos alargado e na transmissão de “dicas” ou estratégias a adotar para lidar com os adolescentes.  

Voltamos a frisar que marcaram presença nem 13% do total de pais e mães… mas não será por isso que não se vão continuar a promover iniciativas semelhantes. Desejamos que cada vez mais pais e mães participem e se aproximem da Escola, onde os alunos/as passam tanto tempo e onde tanto se passa. É fundamental conhecer e partilhar as preocupações que pais e mães têm, mas também ouvir a Escola e os temas com que se debate, alinhando um trabalho conjunto e contínuo.

Estejam atentos às próximas iniciativas e proponham ou apresentem sugestões! Todos temos a ganhar!