Feira do Futuro da EPM-CELP aproximou os alunos do mundo real

Durante três dias, 21, 22 e 23 de janeiro, as salas e o Auditório Carlos Paredes da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) acolheram nova edição da Feira do Futuro. Entre perguntas, expectativas e alguma ansiedade própria de quem começa a olhar para o futuro com mais seriedade, os alunos do 9.ºano e do ensino secundário viveram momentos de partilha, descoberta e reflexão, integrados na 4.ª edição da Feira do Futuro, um espaço privilegiado de orientação académica e preparação para os desafios do Ensino Superior e do mercado de trabalho.

Promovida pela Associação de Pais e Encarregados de Educação, em parceria com a Coordenação e Direção da EPM-CELP, a edição deste ano envolveu centenas de alunos, consolidando o alcance e o impacto da Feira enquanto plataforma de apoio às decisões que marcam o percurso académico e profissional dos estudantes.

Tal como nas edições anteriores, a programação foi pensada de acordo com diferentes públicos. Aos finalistas do secundário foram apresentadas ferramentas práticas para a pesquisa ativa de informação sobre universidades, cursos e condições de acesso, ajudando-os a organizar dúvidas e a transformar incertezas em escolhas mais conscientes.

Um dos momentos centrais aconteceu na sexta-feira, 23 de janeiro, com o workshop orientado por Eduardo Filho, da Inspiring Future, sob o tema “Como sobreviver de salto alto e gravata”. O auditório, cheio, interagiu, numa dinâmica marcada pela curiosidade e pela vontade de compreender o que se espera dos adolescentes e jovens para lá dos muros da escola.

Numa abordagem direta, o formador procurou desmontar a ideia, muitas vezes repetida, de que o mercado de trabalho está “fechado”. Para Eduardo Filho, o problema não é a ausência de oportunidades, mas o nível de exigência. “Não é um mercado mau. É um mercado competitivo, onde os melhores conseguem se destacar”, afirmou.

A interação entre o palestrante e os alunos abordou as competências técnicas, as chamadas hard skills, e as competências comportamentais, as soft skills, ligadas à postura, comunicação, responsabilidade e capacidade de adaptação. Segundo o formador, é na articulação entre estas duas dimensões que reside a verdadeira preparação profissional.

Outro ponto destacado durante o workshop foi o perfil atualmente procurado pelas empresas. Segundo Filho, mais do que currículos extensos, as organizações valorizam profissionais capazes de demonstrar compromisso sério com a missão da instituição, disponibilidade para aprender e envolvimento genuíno com o trabalho.

Entre risos nervosos e respostas ensaiadas, os alunos participaram em simulações de candidaturas e entrevistas de emprego, colocando em prática conceitos discutidos ao longo do workshop. O exercício permitiu aos jovens experimentar situações reais de recrutamento, compreender erros comuns e ganhar confiança.

Eduardo Filho chamou ainda a atenção para a importância da personalização dos currículos, defendendo que cada candidatura deve refletir o perfil da empresa, mesmo quando se trata de iniciativas espontâneas. “Enviar o mesmo currículo para todos os lugares já não funciona”, alertou.

No debate, surgiram também aspetos que podem comprometer um percurso profissional, como longos períodos em branco no currículo, frequentemente associados à estagnação, bem como a falta de espírito de sacrifício, de disponibilidade e de capacidade para o trabalho em equipa.

Dirigindo-se aos alunos do 12.º ano, Eduardo Filho alertou que é fundamental começar cedo a construir experiências, mesmo que simples. “O contacto precoce com o mundo do trabalho ajuda a desenvolver responsabilidade, maturidade e consciência profissional”, afirmou.

Mais do que apresentar respostas fechadas, a Feira do Futuro procurou provocar reflexão. Ao longo das atividades, ficou evidente que pensar o futuro não é apenas escolher um curso, mas compreender o lugar que cada jovem deseja ocupar na sociedade.

Num tempo marcado por incertezas, a iniciativa voltou a cumprir o seu papel que é o de aproximar a escola da vida real e ajudar os alunos a perceber que o futuro começa a ser construído muito antes do diploma.