Livro “Aurora” convida crianças a descobrir o mundo para além do olhar

A Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) lançou, na passada sexta-feira, 29 de maio, o livro “Aurora”, da escritora portuguesa Lurdes Breda, com ilustrações de Cristina Sousa, numa cerimónia que transformou a literatura numa experiência de descoberta, de exploração dos sentidos e da imaginação.

Integrada nas celebrações do Dia Internacional da Criança, a iniciativa reuniu alunos do 1.º e 2.º ciclo de ensino, num encontro onde o livro deixou de ser apenas um objeto de leitura para se tornar uma experiência vivida. A atividade foi preparada e apresentada, posteriormente, numa celebração promovida pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, em Portugal, assinalando simbolicamente a ligação entre duas margens da língua portuguesa.

Para o evento, as crianças receberam cartões coloridos e entraram num ambiente pouco habitual, onde sons suaves da natureza preenchiam o espaço, enquanto ilustrações do livro eram projetadas nas paredes. Longe de uma apresentação comum de uma obra literária, o desafio era convidar os alunos a entrar no universo da personagem antes mesmo de ouvirem a sua história.

Na mensagem dirigida à comunidade escolar, a presidente da CAP da EPM-CELP, Luísa Antunes, enquadrou a iniciativa nas comemorações do Dia Internacional da Criança e recordou a importância de garantir às crianças acesso à educação, à saúde, à segurança e a condições dignas para o seu desenvolvimento.

A responsável sublinhou ainda o papel da literatura infantil na formação das novas gerações, defendendo que livros como “Aurora” ajudam a estimular a imaginação, o gosto pela leitura e a construção de referências culturais entre crianças e jovens.

Num discurso marcado pela emoção e pela memória, Teresa Noronha – coordenadora editorial das publicações da EPM-CELP e responsável por um trabalho contínuo de edição e promoção da leitura no contexto da escola – recordou os 20 anos dedicados à difusão de histórias, imagens e vozes através dos livros. “Hoje as tecnologias permitem-nos aproximar estando em geografias diferentes. Também este livro aproxima geografias diferentes. Portugal, Moçambique, mas também geografias da alma, formas particulares de olhar para o mundo”, afirmou.

A editora revisitou ainda a longa colaboração entre a EPM-CELP e Lurdes Breda, iniciada há cerca de uma década com “A Árvore Mágica”, à qual se seguiram “100 Papas na Língua”, “Contar Histórias com a Avó ao Colo” e “Bashshar, o Guardador de Pássaros”.

Segundo explicou, “Aurora” conta a história de uma pequena toupeira que, por não conseguir ver o mundo na sua totalidade, aprende a compreendê-lo através dos sentidos e da ajuda dos amigos. “Esta toupeira somos também todos nós, com aquilo que cada um vê e com aquilo que cada um não é capaz de ver”, observou. “Ao ouvirmos os outros, ao lermos os outros e ao captarmos as sensações e emoções dos outros, somos capazes de formar uma ideia mais completa do nosso mundo.”

E foi precisamente essa ideia que serviu de fio condutor ao momento mais marcante da manhã. Depois da apresentação, quatro alunos deram voz às personagens do livro numa leitura encenada acompanhada pela projeção das ilustrações. Mas seria o exercício seguinte que transformaria o auditório.

De olhos fechados, as crianças foram convidadas a ouvir, cheirar, tocar e imaginar que “o azul soa a água”, “o verde cheira a floresta”, “o vermelho bate como um coração feliz” e que “o arco-íris mora dentro dos sentidos”. As frases sucediam-se lentamente. Entre um som, um cheiro e uma imagem sugerida, o espaço mergulhou num silêncio raro no Auditório Carlos Paredes.

As mensagens em vídeo enviadas pela autora Lurdes Breda e pela ilustradora Cristina Sousa reforçaram essa ponte entre leitores, criadores e geografias distintas. À distância, ambas partilharam com os alunos o processo de construção da obra e a importância da literatura enquanto espaço de encontro entre diferentes experiências humanas.