Projeto “Crescer Saudável”: a resposta da EPM-CELP ao desafio da obesidade

No passado dia 4 de março, assinalou-se o Dia Mundial da Obesidade, uma data que nos desafia a olhar para além da estética e a reconhecer a obesidade como uma verdadeira crise de saúde pública, com impacto profundo na sociedade, na economia e na expetativa de vida.

Os dados mais recentes, divulgados oficialmente, revelam que a obesidade atinge cerca de 28,7 % dos adultos em Portugal, e, quando somados todos os casos de excesso de peso, mais de 67 % da população adulta está acima do peso considerado saudável. Entre as crianças dos 6 aos 8 anos, 31,9 % têm excesso de peso e 13,5 % estão em situação de obesidade, o que levanta preocupações acerca de hábitos alimentares, estilos de vida sedentários e riscos futuros de doenças crónicas na idade adulta. Estes dados são um sinal de alerta para o futuro da saúde pública.

Na EPM-CELP é desenvolvido um projeto multidisciplinar, liderado pelo grupo de Educação Física, o  “Projeto Crescer Saudável” - que tem como objetivo, intervir, precisamente, sobre os alunos que apresentam um índice de massa gorda bastante elevado realizando com eles e com as suas famílias, um trabalho que tem como principais objetivos: a) melhorar os indicadores de saúde dos alunos; b) adaptar o processo de aprendizagem às suas necessidades; c) avaliar e repensar os seus estilos de vida e d) melhorar significativamente a sua auto-estima.

Até ao momento, após um processo avaliativo realizado com todos os alunos da EPM-CELP, cerca de 74 alunos foram sinalizados para o projeto, desde o 3º ano até ao 12º ano. No entanto, 13 encarregados de educação rejeitaram a entrada dos seus filhos no projeto, assim, 61 alunos estão efetivamente inscritos, e a frequentar o projeto. Esta população de alunos da EPM-CELP, é representativa do problema da obesidade nos dias de hoje.

O endocrinologista e investigador, Miguel Sousa, especialista em doenças metabólicas, vê a obesidade como a “epidemia do século XXI”:

"A obesidade não é uma questão de imagem, estética, é uma doença crónica multifatorial de saúde pública que altera profundamente o metabolismo, reduz a qualidade de vida e aumenta a mortalidade por várias causas associadas".

Segundo este especialista, é fundamental uma “abordagem integrada e sustentada”, particularmente em idades jovens, que permita uma intervenção precoce, no sentido de se prevenirem doenças associadas, como: diabetes tipo 2, hipertensão, problemas articulares, problemas circulatórios, etc.