“Somos uma escola de encontros, pontes e futuro”

A Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) comemorou, no dia 30 de janeiro, o seu 26.º aniversário com uma sessão solene marcada pela evocação da memória, da cooperação cultural e do compromisso educativo, que definem a instituição. O discurso que transcrevemos, proferido pela presidente da Comissão Administrativa Provisória, Luísa Antunes, na presença de representantes dos Governos de Moçambique e de Portugal, do corpo diplomático, da comunidade educativa e de parceiros institucionais, reflete a identidade, o percurso e a missão de uma escola que se afirma como espaço de diálogo entre culturas, saberes e gerações.

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Com enorme satisfação celebramos hoje o 26.º aniversário da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa, uma instituição que, ao longo de mais de duas décadas, tem sido espaço de encontros, de diálogo e de construção de pontes entre culturas, saberes e gerações.

Permitam-me também recordar que, por motivos que todos conhecemos, não pudemos celebrar, como desejávamos, no ano transato, o 25.º aniversário da EPM-CELP. Hoje, recuperamos essa celebração adiada. Fazemo-lo com orgulho, com sentimento de pertença e com a consciência de que a história da escola é feita de resiliência, de adaptação e de continuidade. Por isso é que esta sessão solene é mais do que o cumprimento de um ritual, de uma tradição. É a restituição de um momento merecido, uma homenagem à resistência silenciosa que nos define como comunidade.

Neste aniversário, deixamos que a memória convoque em celebração os nossos quatro patronos — Malangatana Valente Ngoenha, Dilon Djindje, José Craveirinha e Carlos Paredes. Quatro vozes, quatro gestos, quatro formas de interpretar o mundo. Em cada um deles encontramos as marcas da nossa identidade: o traço firme, a cor vibrante, a palavra que transforma e a música que nos une. Estas figuras constituem símbolos vivos da nossa estratégia de cooperação, da sólida e frutuosa relação entre Portugal e Moçambique, que se reflete diariamente no trabalho desenvolvido nesta casa.

Malangatana, o nosso querido mestre, visitou-nos inúmeras vezes para orientar workshops com os nossos alunos, partilhando generosamente saberes, afetos e, também, o prazer de um pastel de nata que tanto apreciava.

Dessa relação nasceu uma amizade profunda que se mantém viva através do seu filho, Mutxhini Malangatana.

José Craveirinha, figura maior da cultura moçambicana, continua a inspirar-nos pela força da sua palavra e pela atualidade do seu pensamento. É com elevada consideração que acolhemos hoje a sua nora e a sua neta, que aqui se encontram em sua representação. A todas e a todos, expressamos o nosso reconhecimento e agradecimento pela presença.

No âmbito da cooperação, celebramos, igualmente, os 15 anos do Projeto Mabuko Ya Hina, um programa que tem enriquecido o espaço educativo moçambicano, valorizando a leitura, a escrita e o acesso ao conhecimento.

São 15 anos a semear futuro, a abrir portas, a transformar a leitura num gesto de dignidade e de liberdade. Este projeto representa o exemplo claro de como a cooperação se faz de ações concretas, com impacto real nas comunidades e na vida dos nossos estudantes. Mabuko Ya Hina é uma árvore que cresce devagar, mas cresce sempre, de raízes profundas e com ramos que tocam cada vez mais longe.

Assinalamos com particular entusiasmo os 10 anos do Projeto Mãos na Ciência, uma iniciativa que tem afirmado a literacia científica como pilar essencial da formação dos nossos alunos e da cooperação institucional. Um convite permanente à curiosidade, ao questionamento do mundo e à descoberta. Ao longo deste percurso, muitos jovens despertaram para o gosto pela investigação, pela experimentação e pelo pensamento crítico, competências indispensáveis num mundo em constante mudança. É também neste contexto de crescimento e afirmação que a EPM-CELP, brevemente evoluirá de Clube Ciência Viva para Centro Ciência Viva, com o apoio da Ciência Viva e do Pavilhão do Conhecimento de Portugal, tornando-se o primeiro Centro Ciência Viva sediado numa escola fora de Portugal — um marco que muito nos orgulha. A par deste reconhecimento, foram-se fortalecendo e ampliando numerosas parcerias, portuguesas, moçambicanas e internacionais, que têm enriquecido este caminho e projetado o futuro.

Hoje celebramos tudo isto — história, cultura, cooperação, ciência, educação — porque celebramos a missão maior da EPM-CELP: formar cidadãos críticos, criativos, solidários e conscientes do seu papel no mundo. Somos uma escola que ensina, mas também uma escola que liga; uma escola que prepara para o futuro, mas que honra o passado; uma escola que acolhe, que inspira e que transforma.

A missão da EPM-CELP afirma-se, antes de tudo, no compromisso com a educação enquanto bem público e no encontro fecundo entre línguas, culturas e pessoas. É na formação integral de cada aluno — oferecendo-lhe confiança, horizontes e ferramentas para construir um caminho próprio, seguro e pleno — que esta missão se concretiza. É ela que dá sentido a cada projeto, inspira cada iniciativa e sustenta, dia após dia, o trabalho desta comunidade educativa.

A todos quantos, ao longo destes 26 anos, fizeram e fazem parte da história da EPM-CELP — docentes, não docentes, alunos, famílias e parceiros — deixamos o nosso mais sincero e emocionado agradecimento. Este caminho construiu-se em conjunto, com dedicação, confiança e partilha. Celebramos convosco, celebramos por vós e celebramos o futuro que continuamos a construir”.