Alunos do 4.º B participam em simpósio sobre direitos das crianças

Alunos do 4.º ano, turma B, da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), acompanhados pela professora Ana Pires, participaram, na terça-feira (8), no VII Simpósio Luso-Brasileiro e II Luso-Afro-Brasileiro em Estudos da Criança, subordinado ao tema “Direitos das Crianças em Tempos de Policrise”, cuja sessão de abertura teve lugar no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo. O evento foi realizado pela primeira vez em África e, consequentemente, em Moçambique.

Durante a sessão de abertura, os alunos da EPM-CELP participaram em diferentes momentos, entre os quais a entoação do Hino de Portugal e do Hino de África, a apresentação de uma música e a leitura de frases inspiradas nos direitos das crianças, antes do início da mesa de debates.

Acompanhados pelos professores de Música Leandra Reis, Isac Maússe e Assumane Saíde, nos instrumentos, e pela professora Ana Pires, os alunos abordaram questões relacionadas com a guerra, a violência, o trabalho infantil, a segurança, a poluição, o acesso à escola e o direito ao brincar.

“Quando nos disseram que o tema deste simpósio era `Direitos das Crianças em Tempos de Policrise´, houve uma palavra que não conhecíamos muito bem: policrise. Depois percebemos que policrise quer dizer que existem muitos problemas a acontecer ao mesmo tempo e que, muitas vezes, acabam por piorar os outros”, afirmou um dos alunos.

Na sua intervenção, os alunos questionaram também a dificuldade dos adultos em encontrar soluções para problemas que afetam as crianças e o planeta. “Se nós aprendemos que o diálogo e o consenso ajudam as pessoas a entenderem-se, porque é que os adultos não conseguem fazer o mesmo para resolver os grandes problemas do mundo?”, questionaram.

Sobre as questões ambientais, perguntaram ainda: “Se sabemos tantas coisas sobre como proteger o planeta, porque é que ainda é tão difícil mudar alguns hábitos?” A intervenção terminou com uma mensagem sobre o mundo em que gostariam de viver: “Queremos poder crescer num mundo em paz, num planeta saudável e em cidades onde possamos sentir-nos seguros e livres para sermos crianças”.

Na ocasião, a presidente da Comissão Administrativa Provisória da EPM-CELP, Luísa Antunes, apresentou o projeto educativo da Escola, estabelecendo relações entre os direitos da criança, a criatividade, a cidadania, o ambiente e a solidariedade. Na sua intervenção, esclareceu também questões relacionadas com a natureza e organização da EPM-CELP, enquanto escola pública do Estado português.

A Gestora de Proteção da Criança da UNICEF em Cabo Delgado, Aleksandra Lukasiewicz, destacou a importância de reconhecer as condições de segurança em diferentes contextos. “Cada um de nós traz uma vantagem relativa por estar a viver em zonas sem conflitos”, afirmou, sublinhando, “que este encontro sirva para analisar as crianças não como objetos de estudo, mas como sujeitos com direitos”.

 Elena Colonna, diretora executiva da CoMeDia, entidade organizadora do simpósio, esclareceu: “o projeto nasceu em 2012, em Braga, e conta atualmente com sete simpósios, incluindo a edição de 2026”.

Que a intervenção e o exemplo dados pelos nossos alunos sirvam de inspiração para todos.

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