A Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) associa-se ao pesar pela morte do artista plástico moçambicano Ídasse Ekson Malendza Tembe, conhecido artisticamente como Ídasse, falecido aos 71 anos. O Núcleo de Arte confirmou a morte do artista esta quarta-feira, 16 de setembro.
Ídasse deixa também uma marca na história da EPM-CELP, onde a sua obra e o seu trabalho de aproximação entre a criação artística e a educação cruzaram diferentes gerações de alunos.
Entre 2005 e 2006, o artista dinamizou, na EPM-CELP, ateliês criativos de artes plásticas dirigidos a alunos do 1.º Ciclo. A experiência viria a contribuir para a consolidação dos ateliês de expressão plástica da escola, envolvendo posteriormente cerca de uma centena de alunos e professores de Educação Visual e Tecnológica.
A presença de Ídasse na EPM-CELP não se limitou, porém, à dinamização dessas actividades. A sua obra integra o património artístico da escola, ao lado de trabalhos de outros nomes de referência das artes plásticas moçambicanas, como Malangatana, Reinata Sadimba e Victor Sousa.
Em 2023, alunos da EPM-CELP voltaram a encontrar-se com o artista durante uma visita à Fundação Fernando Leite Couto, onde estava patente uma exposição de Ídasse Tembe e José Mucavele. Na ocasião, os estudantes tiveram oportunidade de conversar com o artista sobre a sua obra.
Mais recentemente, em 2025, Ídasse regressou à EPM-CELP através da literatura infantojuvenil. Foi o responsável pelas ilustrações de “Quem ensinou a avó a contar estórias?”, de Nelson Lineu, livro editado pela EPM-CELP e apresentado no Auditório Carlos Paredes no âmbito das comemorações do Dia da Criança. A obra aproximou novamente o seu universo visual dos alunos da escola.
A notícia da sua morte foi recebida com consternação no Núcleo de Arte, instituição que o descreve como “mestre, conselheiro, amigo e irmão” e sublinha a influência que exerceu sobre outros artistas. Na nota de pesar, o Núcleo de Arte considera que o legado de Ídasse ultrapassa a sua produção artística e destaca a generosidade com que formou e inspirou outros criadores.
Nascido a 1 de julho de 1955, em Infulene, Ídasse dedicou-se profissionalmente às artes plásticas a partir de 1982, trabalhando nas áreas do desenho, pintura e cerâmica. A sua obra está representada em coleções públicas e particulares, em Moçambique e no estrangeiro, e integrou numerosas exposições individuais e coletivas.
