A Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) assinalou a Revolução dos Cravos com um conjunto de atividades educativas e culturais que envolveram alunos de diferentes níveis de ensino, ao longo do dia 24 de abril, em Maputo.
As celebrações tiveram início às 8 horas, com uma atividade protagonizada pelo pré-escolar, junto às Asas da Liberdade, onde foram declamadas as poesias “O Dia da Liberdade” e “Liberdade”, e interpretadas as canções “Uma gaivota voava, voava” e “25 mil amigos”. A iniciativa incluiu ainda a participação da turma do 3.º ano (F), que apresentou uma poesia e dos alunos da Sala do Ensino Estruturado, que marcaram o momento com o rufar de tambores.
Antes da cerimónia, as crianças haviam preparado cravos com diversos materiais, símbolo maior do 25 de Abril, que foram posteriormente distribuídos aos presentes. A atividade terminou com a exibição de cartazes alusivos à liberdade e palavras de ordem, num ambiente marcado pela expressão criativa e pelo envolvimento coletivo.
De acordo com Sandra Camacho, Coordenadora do Departamento Curricular de Educação Pré-escolar, a iniciativa teve como objetivo despertar o interesse das crianças pela história e pelo significado da data, promovendo valores como liberdade, respeito e amizade, através de abordagens pedagógicas adaptadas ao seu quotidiano.

No período da tarde, as comemorações prosseguiram na Biblioteca Escolar José Craveirinha, com um encontro-debate subordinado ao tema “Liberdade ontem e hoje” (Ler a notícia). A sessão contou com a presença do embaixador de Portugal em Moçambique e do historiador António Sopa, e foi mediada pelo professor Rodrigo Borges, com participação de alunos do 12.º ano da disciplina de História de Moçambique e da área de Humanidades.
O espaço acolheu também uma exposição de peças evocativas da luta pela liberdade. Durante o debate, os estudantes refletiram sobre questões como desigualdade social, acesso à educação e os limites da democracia, promovendo um diálogo intergeracional e crítico.
As atividades, na EPM-CELP, incluíram ainda a projeção do filme “Preto e Branco”, no auditório Carlos Paredes, dirigida aos alunos do 9.º ano. A obra aborda a guerra colonial portuguesa a partir de perspetivas contrastantes, explorando temas como identidade, racismo e os paradoxos do conflito.

O encerramento das comemorações teve lugar no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo (Ler a notícia), onde se realizou um evento que reuniu música, testemunhos e poesia. Alunos da EPM-CELP participaram com declamações de textos marcantes da literatura portuguesa, num percurso que atravessou diferentes gerações e correntes, da poesia de intervenção ao modernismo. O programa destacou autores como Sophia de Mello Breyner Andresen, Manuel Alegre, Fernando Pessoa e Eugénio de Andrade, num momento que reforçou a dimensão simbólica e cultural do 25 de Abril.
